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sábado, 8 de janeiro de 2011

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Não quero redenção, quero a Argentina!


O varzeano e corintiano Arthur Tirone relembra da época em que os clubes eram legítimos representantes dos bairros. Nascido e criado na Barra Funda-SP, o autor define como seria o jogo dos seus sonhos e a final de 2014.

Por Arthur Tirone, via Copa 2014

- Como pode passar assim por três, quatro? Tinha que dar uma botinada no homem! Tinha que dar nesse merdinha igual ele deu no Batista! Mas não, o Alemão joga com ele no Nápoles e não quis “pegar”! Ah, se fosse eu...

A frase enfurecida foi proferida por meu avô – e por outros milhões de brasileiros – logo após a eliminação canarinho na Copa de 90. Este, ao lado do cardíaco Brasil x Holanda de 94, foi o jogo que mais me marcou. A derrota doída, porém, deixa uma cicatriz que não se apaga. Este é, portanto, meu maracanazzo particular. Sendo assim, Caniggia, pra mim, é apenas uma corruptela de Ghiggia.

Sou um sujeito varzeano, nascido e criado na Barra Funda, onde ainda moro. Aqui, como em outros lugares não menos tradicionais dessa cidade – cito Mooca, Bela Vista e Penha -, se cultua um futebol que se vê nas quebradas, nas peladas, nas ruas de terra; um futebol de criança, de bolinha de meia e de bola já oval de tão velha. Aqui, como de resto em vários cantos do Brasil – e por isso somos o país do futebol -, o esporte bretão é coisa séria!

Image by Thomaz Farkas/Acervo IMS
Digo que sou varzeano e vou explicar: a várzea do Rio Tietê, em tempos já distantes, tinha mais campo de futebol – os chamados times “de várzea” – do que gente começando regime na segunda-feira. A especulação imobiliária e o crescimento desembestado da cidade trataram de acabar com quase todos eles, da Vila Matilde (Zona Leste) à Lapa (Zona Oeste). 


Hoje ainda restam alguns, raríssimos, sendo o campo da Associação Atlética Anhangüera um deles. É lá que fui criado e que jogo todos os domingos. Foi lá que meu pai estreou em 1967 e meu avô em 1933.

O clube foi fundado em 1928 em meio a um boom de clubes sociais que pipocavam pelos bairros da cidade. Naquele tempo o crescimento da cidade ainda não havia suplantado uma grande instituição: o Bairro. Era no bairro que as pessoas viviam, trabalhavam e se divertiam. Os clubes eram legítimos representantes dos bairros. Havia clubes de todas as espécies: alguns só tinham o futebol, outros – como o Anhangüera -, além do futebol, tinham esportes variados como bocha e pingue-pongue e uma sede social respeitável, com bailes e concursos de todos os tipos.

O Anhangüera era composto basicamente pelos filhos de imigrantes italianos que se estabeleceram no bairro anos antes. Era gente trabalhadora, em sua maioria pequenos comerciantes, tapeceiros, sapateiros. Meu avô, Osvaldo Tirone, era carroceiro de burros. Fazia viagens ao moinho Manetti Gamba – hoje Moinho Santo Antonio – para buscar sacos de farinha, sempre entornando seu garrafão de vinho. 


Dizem que foi um dos maiores valentes da região. Capitão do Sport do Anhangüera por vários anos, era um beque que sabia jogar, mas batia sem a menor complacência: no primeiro sinal de desrespeito o adversário voava.

Eu dizia que os clubes representavam seus bairros. No começo da década de 50, o Sulamericano do Bom Retiro dispunha de um timaço, com um meio campista de classe chamado Perez, bom de bola e cheio de tarimba. Teve um jogo em 1952 entre Anhangüera e o Sulamericano que, por causa do Perez, tomou proporções inimagináveis. O problema é que o Perez era uruguaio e o jogo acabou virando um genérico de Brasil e Uruguai de dois anos antes; o Anhangüera se viu na obrigação de vingar o País; e o alviverde do Sulamericano, na pessoa do Perez, virou a Celeste. O jogo estava duríssimo, mas não completou cinco minutos; o bambu gemeu e o gringo teve que correr horrores dos “brasileiros” da Barra Funda.

Não quero pregar a violência, pelo contrário; mas acho que o fair play tem limite. O futebol, pra um varzeano como eu, não pode ser concebido como mero espetáculo. Não admito o futebol como entretenimento, com clientes em vez de torcedores, jogadores inertes e profissionais a níveis inabaláveis. O Alemão... O Alemão tinha que ter dado uma saraivada no Maradona!


Em 2014 quero uma final entre Brasil e Argentina. Não para redimir o Alemão, mas porque o maior clássico do mundo merece uma final de Copa. Só por isso. Não sairá de mim, caso o Brasil ganhe – tem que ganhar! -, aquele gol do Caniggia. Assim como aquela final de 50 pairará sobre o maior do mundo para sempre. Deixemos o maracanazzo, o Barbosa e os 200 mil em paz.

O jogo dos meus sonhos da Seleção Brasileira, porém, vos confesso, seria contra um time que tivesse, entre seus jogadores, o goleiro Ramon Quiroga do Peru-78, o zagueiro Vicente de Portugal-66 e o volante Obdulio Varela do Uruguai-50. Que este jogo durasse apenas cinco minutos, e que esses três tivessem um dia como aquele do coitado do Perez. Sorte deles que é sonho, porque nesse jogo meu velho avô veste a camisa 3 canarinho.

Arthur Tirone, corintiano, é nascido na mesma rua que nasceram seu pai, palmeirense, e seu avô, corintiano. É formado em administração de empresas, trabalha com eventos e consultoria comercial. Gosta de escarafunchar as histórias de seu bairro, a Barra Funda. Mantém um blog no endereço www.anhanguera.blogspot.com e é diretor social do Clube Anhangüera, onde promove um projeto que recebe grandes nomes do samba brasileiro.



Fechando o 100tenada ....

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Domingo é dia de #TORCIDAZERO em Barueri!

Afinal, ninguém aguenta mais esses infames campeonatos de pontos corridos!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

domingo, 21 de novembro de 2010

100tenada: contagem regressiva ...

E a imundice choraminga:


domingo, 14 de novembro de 2010

Baêa,Baêa,Baêa!

Saudações aos torcedores da Boa Terra. Para a alegria do meu amigo Bizunga, o Bahia voltou, no campo, ao seu lugar de direito!

sábado, 13 de novembro de 2010

Questão de vergonha na cara


Por Barneschi, via Forza Palestra

2005, 20 de novembro. Campeonato Brasileiro de pontos corridos, rodada 40. Pacaembu. SCCP e Internacional são os dois concorrentes diretos ao título daquele ano. Tinga é derrubado na área do time da casa. O árbitro não marca falta e, descarado, ainda expulsa o jogador que sofrera a penalidade não anotada por ele. Aquele 1 a 1, somado à interferência direta da CBF na remarcação de dois jogos anteriores, acabou por decidir o campeonato.

2010, 13 de novembro. Campeonato Brasileiro de pontos corridos, rodada 35. Pacaembu. SCCP e Cruzeiro são dois dos concorrentes diretos ao título. Os gambás não jogam nada. Aí, passados 40 minutos do segundo tempo, o árbitro inventa um pênalti descarado, daqueles absurdos, daqueles que deixam envergonhado qualquer ser humano com um mínimo de vergonha na cara. Este é o 1 a 0 que pode decidir o campeonato.

Vejam
 aqui o texto onde eu exponho os motivos que já obrigavam o Palmeiras, pela decência e pela moral que nos precedem, a entregar descaradamente os jogos que vai disputar ainda contra Fluminense e Cruzeiro. Vejam aqui alguns episódios recentes em que a gambazada maldita foi diretamente favorecida pela arbitragem ou por coisas ainda piores para chegar a títulos relevantes. O que aconteceu há pouco no Pacaembu entra para esta lista.

Vergonha, indecência, cafajestagem. Qualquer ser humano com um mínimo de decência deve se envergonhar do que aconteceu no Pacaembu. Qualquer torcedor com um mínmo de dignidade deve ficar enojado com o que fez o filho da puta do apito.

O Palmeiras, em nome da rivalidade ainda existente nesta capital e para tentar garantir o mínimo de decência a este já combalido campeonato de pontos corridos, tem uma obrigação a cumprir. Questão de vergonha na cara, a mesma que falta a uma certa torcida desta capital, já há muito acostumada a comemorar títulos na base da cafajestagem e da pilantragem.

Vergonha na cara, jogadores, Felipão e diretoria. Só isso.

domingo, 10 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

American Football news

Sim, aqui em Terras Brasilis tem gente que gosta. Até o tradicionais clubes do futebol tem seus times, como o Palmeiras Locomotives. Parece que a modalidade definitivamente começa a cair no gosto da torcida, tanto que o time dos rivales, os chamados Steamrollers, em uma inovadora ação de marketing, contratou o peladão Alexandre Frota para atuar pela equipe.


Quando informados que o técnico dos Rollers afirmou que ator pornô jogará "enfiando as bolas", a turma alegre e modéeerna do jardim leonor não ficou para trás. não só criaram seu próprio time de futebol americano, como também já contrataram um atleta que atua na NFL:  


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

É guerra: abalando o moral inimigo!

A nova bebidinha da
torcida purpurinada

Fotomontagens feitas à partir da obra de Dimitri Tsykalov

inimiga e seu "brinquedinho"
antes da batalha
Olha a cenourinha ...

- Nóooofa, é tudo méeeeeu !!!

sábado, 11 de setembro de 2010

Coisas que você não vai ler nos jornais esportivos de hoje

MP investiga possíveis irregularidades na doação do terreno do Morumbi ao SP
Alexandre Sinato e Thales Calipo, via UOL Eporte
O Ministério Público, por meio da Promotoria de Habitação e Urbanismo da Capital, instaurou um inquérito para apurar possíveis irregularidades na doação do terreno feita ao São Paulo para a construção do estádio do Morumbi. O órgão tenta levantar se todas as exigências contidas no acordo firmado na década de 1950 entre o clube e a Imobiliária e Construtora Aricanduva, com a conivência da Prefeitura, foram cumpridas.
Pelas primeiras investigações, no entanto, o Ministério Público apontou duas irregularidades. O São Paulo não teria cumprido as obrigações de construir no terreno doado, entre outras facilidades, um parque infantil de livre acesso à população e um estacionamento, que deveria ocupar uma área de 25 mil metros quadrados.
A representação encaminhada pela Associação dos Moradores da Vila Inah, entidade que apresentou os documentos que comprovaram a doação feita ao São Paulo em 1952, solicita que, se as irregularidades forem comprovadas, o terreno poderá até ser passado novamente para o poder público, sem qualquer tipo de pagamento ao clube, independentemente das melhorias realizadas no local.
No entanto, o promotor Raul de Godoy Filho, responsável pelas investigações, afirmou que a possibilidade de o São Paulo perder o seu estádio é remota. Mesmo assim, uma resposta definitiva sobre o caso só poderá ser dada após 30 dias, prazo que o Departamento Patrimonial da Prefeitura tem para responder aos questionamentos feitos pelo Ministério Público.
“Vamos aguardar o retorno do ofício e, confirmada as irregularidades, o Ministério Público pode promover uma ação ou um termo de ajustamento de conduta. Caso o São Paulo não consiga cumprir com o que foi determinado no acordo, vamos analisar o que pode ser feito em troca, de forma adequada, e que não afete o aspecto urbanístico”, explicou Godoy Filho ao UOL Esporte.


Leiam também MP mira terreno de estádio corintiano e diz não ter sido procurado para acordo

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

sábado, 31 de julho de 2010

O Estatuto do Espectador ...

A "modernidade" das pessoas quem administram o esporte no país é impressionante. Papagaios, vivem repetindo as verdades absolutas d'além mar, aquelas que, atualmente são severamente questionadas, dada a diminuição de público nos estádios europeus. As lorotas de dez, quinze anos atrás são lançadas como inovação e/ou solução por aqui.


Fico nisso e ofereço um texto do Pessini e outro do Seo Cruz, ambos extraídos do CS, para reflexão:

E o torcedor sofre…

Por Seo Cruz, via Cruz de Savóia

Texto do grande irmão Adriano Pessini produzido para sua coluna de sábado para o Jornal Agora SP (e gentilmente compartilhado pelo autor com os amigos que por aqui passam).

Aproveito o bom humor de dois grandes amigos o @SeoCruz e o @craudio99, que durante esta semana travaram uma guerra de “ofensas” no Twitter, para exemplificar como esse novo Estatuto do Torcedor não adianta em nada na prática.

“Animal suíno e prole de uma mulher de vida fácil” ou “marsupial fétido” seriam alguns dos elogios ouvidos no clássico de amanhã, no Pacaembu, já que agora “xingamentos discriminatórios” estão proibidos nos estádios?

E, quer dizer que, se alguém fizer isso _ou algo bem pior_, e for de uma torcida organizada, quem vai pagar é a torcida? Muito bom, mas, na minha singela visão, é mais um item em que o Estado está tirando o corpo fora.
Seria algo como culpar um padre, um pastor ou um pai de santo pelo fato de um de seus seguidores cometer um crime.

Outro ótimo ponto: “é proibido promover tumulto, praticar ou incitar a violência num raio de até 5 km do estádio”. Beleza, então a galera do ABC e das áreas mais distantes do centro pode fazer o que quiser nos arredores de casa, pois só serão punidos se o fizerem perto do estádio?
Onde está o erro? Simples. Começa na visão do próprio ministro do Esporte, Orlando Silva, que diz que a torcida é um espetáculo à parte no futebol.

Pois saiba, meu caro ministro, que o torcedor é muito, mas muito mais do que isso: é quem move, quem dá a vida por um time e é a essência da maior paixão mundial: o futebol.
O Estatuto Macunaíma
Por Seo Cruz, via Cruz de Savóia

No Brasil, O Estado tem se tornado um especialista em tirar o fiofó da linha de tiro a cada vez que a solução para um problema passa longe do consenso. Quando isso acontece, e quando o apelo pela solução de um determinado problema é grande, devido à pressão da mídia e/ou da classe média, governos deste Brasilsão sem pai nem mãe “criam” um consenso necessário para se sanar um impasse através da imposição de novas leis, determinações federais ou estaduais que promovem a inibição de um comportamento coletivo.

Foi assim com a inútil Lei Antifumo, que não veio para nada – uma vez que fumantes, donos de estabelecimento e não-fumantes já se acomodavam em harmonia pelos recantos coletivos da cidade; é assim com inúmeros outros exemplos onde o ato de proibir revela antes uma vagabundagem do governante em dialogar e encontrar um caminho justo do que propriamente fazer justiça.

O que ninguém percebe, o que ninguém está percebendo, é que a cada canetada fascista destes vagabundos estamos perdendo um pouco das nossas liberdades individuais. Na internet, por exemplo, que é o nosso principal meio de interação com o mundo todo nos tempos de hoje, a tal da liberdade de ir e vir está a cada dia mais restrita. Tem gente propondo lei para literalmente restringir nosso acesso livre à web por mera incapacidade de regulamentar os processos todos que envolvem o mundo digital (ou por medo de para onde estes processos podem levar a vontade de uma sociedade).
Nos estádios não é diferente.

A Copa de 2014 está cada dia mais próxima e as autoridades de plantão, os aspones, os oportunistas e corruptos uniformizados de toda patente simplesmente não sabem o que fazer com seu próprio complexo de vira-latas – não conseguem imaginar como enquadrar a diversão culturalmente improvisada de seu povo nos padrões europeus exigidos pela máfia de Zurique. Então o que fazem? Nos proibem de tudo.

Começaram proibindo as bebidas alcoólicas – uma medida burra que só aumenta o ingresso de bebuns nas arquibancadas (o sujeito tem que beber todas antes de entrar) e hipócrita (porque tal veto cairá até 2014, quando uma das grandes marcas de cerveja do mundo será patrocinadora oficial da Copa); continuaram, discriminando o torcedor assíduo do bunda-mole que quer conforto, taxando “torcedores organizados” de marginais e coroando os oportunistas, aqueles que só apoiam o time quando chegam a uma decisão, como “torcedores comuns” – ou os que devem ser protegidos daqueles que realmente frequentam os embates de seu clube durante todo ano.

A última grande idéia genial desses capachos sedentos por euros e dólares de uma gente que não nos respeita é este estatuto do torcedor (sic). É uma lei que não serve para absolutamente nada e cria exageros e distorções no controle de segurança das massas, da manifestação das torcidas. Chega, este estatuto em particular, a beirar o perigoso limite da liberdade de expressão e do prórpio direito de ir e vir (olha ele de novo, agora no mundo real).
A maioria dos mestres de lingüística concorda na origem da expressão “para inglês ver”. Parece que data de 1831, quando os regentes tupiniquins tiveram que engulir exigências do Império Britânico e assinar uma lei que, todos sabiam, jamais seria cumprida: segundo ela, todos os escravos contrabandeados para o Brasil deveriam ser imediatamente alforriados, bem como seus traficantes deveriam ser severamente punidos.

Já naquela época, que não se iludam os humanitários de plantão, o motivo era GRANA. A Inglaterra e sua aquecida indústria temia não poder mais competir comercialmente, a médio prazo, com países que não precisassem pagar os custos de sua mão-de-obra.

Feijó, o regente, então, foi lá e assinou a tal da lei “pra inglês ver”. O padre liberal já sabia no século XIX, como sabemos hoje, que leis oportunistas, nesse Brasil-colônia, são feitas apenas para serem convertidas em suborno para aqueles que a criaram. Não é coisa para ser levada a sério, como este tal estatuto de pay per view.

É coisa oportunista, de ocasião, impedimento que passa depois de 2014, quando nos devolverem a emoção do Futebol – emoção que desde já foi sequestrada.

Pelo novo estatuto, qual a melhor roupa para ir ao futebol?